As raízes neoliberais do identitarismo

a gestão fragmentada do direito na era da cultura woke

Autores

  • Gabriella Nathália de Oliveira Bettim
  • Prof. Dr. Oswaldo Akamine Jr. Faculdade de Direito de Sorocaba (FADI)

Palavras-chave:

Neoliberalismo, identitarismo, fragmentação, cultura woke

Resumo

O presente trabalho analisa o desenvolvimento das correntes identitárias e sua contrarreação conservadora a partir dos moldes neoliberais. Analisam-se as bases históricas desde a queda do Estado de bem-estar social até a ascensão do neoliberalismo nos anos 70, que representou o sucateamento de políticas públicas e a precarização da mão de obra em decorrência da ascensão das máquinas para aumentar a produtividade. Observa-se que é uma racionalidade que induz o indivíduo à internalização da demanda de produtividade e excelência, devido ao medo ocasionado pela falta de garantias sociais e de perspectiva de futuro. Há uma constante precarização do trabalho e a ascensão do direito privado em detrimento dos direitos coletivos, fatores que propiciam um ambiente competitivo entre os sujeitos. Sob esse viés, surgem grupos de identidades em busca de mais amparo estatal, vistos como inimigos da “unidade ideal do povo”. A “cultura woke” surge como uma palavra vazia de significado e usada para desqualificar políticas de igualdade, representando o declínio dos valores ocidentais. Por fim, conclui-se evidenciando a influência das plataformas digitais na fragmentação da população e na disseminação de conteúdos conservadores.

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Publicado

30/04/2026

Como Citar

BETTIM, G. N. de O.; AKAMINE JR., O. As raízes neoliberais do identitarismo: a gestão fragmentada do direito na era da cultura woke. Cadernos Jurídicos da Faculdade de Direito de Sorocaba, Sorocaba, v. 7, n. 1, p. 10–32, 2026. Disponível em: https://cadernosjuridicos.fadi.br/cadernosjuridicos/article/view/150. Acesso em: 1 maio. 2026.

Edição

Seção

Iniciação científica