Relativização da coisa julgada em ação de investigação de paternidade

Autores

  • Beatriz Prado Gomes
  • Gabriel Casqué Rodrigues dos Santos
  • Prof. Dr. Gilberto Carlos Maistro Jr. Faculdade de Direito de Sorocaba (FADI)

Palavras-chave:

Coisa julgada, relativização, investigação de paternidade

Resumo

O presente trabalho tem por objetivo analisar a relativização da coisa julgada nas ações de investigação de paternidade, tema que suscita intenso debate entre a segurança jurídica e a busca pela verdade biológica. A coisa julgada, tradicionalmente considerada absoluta, garante estabilidade às relações jurídicas, mas o avanço das provas genéticas trouxe à tona situações em que a verdade material pode e deve prevalecer sobre a formal. Diante disso, discute-se se é possível reabrir decisões transitadas em julgado quando surgem provas científicas capazes de comprovar inequivocamente a filiação. A pesquisa parte da hipótese de que, nesses casos, a relativização da coisa julgada não representa afronta ao sistema jurídico, mas sim instrumento de efetivação da justiça e dos direitos fundamentais, especialmente o direito à identidade e à dignidade da pessoa humana. A metodologia empregada combina pesquisas bibliográfica, documental e jurisprudencial, com análise de julgados do STJ e do STF. Conclui-se que a flexibilização da coisa julgada, quando fundada em provas novas e idôneas, é medida legítima e necessária para harmonizar o princípio da segurança jurídica com a realização da justiça material.

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Publicado

30/04/2026

Como Citar

GOMES, B. P.; SANTOS, G. C. R. dos; MAISTRO JR., G. C. Relativização da coisa julgada em ação de investigação de paternidade. Cadernos Jurídicos da Faculdade de Direito de Sorocaba, Sorocaba, v. 7, n. 1, p. 167–191, 2026. Disponível em: https://cadernosjuridicos.fadi.br/cadernosjuridicos/article/view/160. Acesso em: 1 maio. 2026.

Edição

Seção

Trabalhos de conclusão